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Artigos em Coletânea O vício de fumar Antonio de Oliveira Lobão 1
Jornal de Piracicaba/Opinião, Piracicaba/SP, quarta-feira, 07 de Agosto de 1996, página A-3
Tabaco
O vício de fumar
Antonio de Oliveira Lobão
Este é, na realidade, um dos assuntos mais polêmicos que existe: fumar, não
fumar, proibir ou liberar as fumaçadas em locais fechados, faz mal à saúde,
não faz, dá prejuízo, não dá, faz parte do charme, não faz, e por aí vai. Toda a
imprensa nacional, escrita e falada, tem trazido bastante matéria sobre o tema.
Não fugindo da atualidade, o Jornal de Piracicaba publica bons artigos a
respeito e raramente deixo de lê-los, pois fui um fumante inveterado em tempos
longínquos e hoje, só com o cheio do cigarro de outras pessoas sinto náuseas
e forte dor de cabeça.
Fugindo totalmente do que estou habituado a escrever neste matutino, vou
aproveitar o momento das discussões para relatar a minha experiência e meu
ponto de vista atual sobre a matéria. Assim, este será uma mistura de estória e
opiniões.
Comecei a fumar, como a maioria dos jovens da minha época, aos 13 anos de
idade. Já desde o início, a tragar (inalar a fumaça do cigarro). Tossia bastante,
tinha tonteiras, vômitos, dores de cabeça, mas tudo passageiro, e mais rápido
do que eu esperava, todo aquele mal-estar desaparecia como por mágica. No
início, fumava um cigarro por dia, depois dois, depois cinco, depois 10 e,
quando adulto, por anos, 40 a 50 unidades por dia.
No início, fumava por curiosidade, depois por prazer e, finalmente, por
necessidade. Depois de um determinado tempo, fuma-se mesmo por
necessidade. Fuma-se por tristeza, por alegria, por pressa, para esperar, para
descansar, para pensar, para raciocinar, para trabalhar, para dormir etc.
Experimentei várias marcas, mas a minha paixão era mesmo o famoso
Continental. Famoso pois era considerado, naquela época, um cigarro que
satisfazia integralmente. Era forte! Autêntico! Puro! , Era, na realidade, tudo
que um bom fumante queria e precisava.
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Importante lembrar que, naquela ocasião, o fumante entrava em contato direto
com o fumo do cigarro, pois não havia filtros. Isto nos permitia fiscalizar, em
parte, o que estávamos fumando. Eu me lembro claramente que, às vezes,
encontrávamos alguns fragmentos mais duros de fumo ou alguma coisa
estranha e, imediatamente, reclamávamos do nosso fornecedor (o dono do bar
da esquina ou o do armazém), e parece que aquilo funcionava, pois em outras
remessas comprávamos um produto de melhor qualidade. Quando abríamos
um maço de cigarros, que era todo de papel, colado apenas com um selo, nós
tínhamos uma visão completa do conteúdo dos mesmos, pelo exame visual de
suas extremidades, e podíamos opinar sobre a qualidade. Eu me lembro
também, claramente, que o nosso fornecedor comentava conosco que os
entregadores davam notícias de reclamações dos fumantes de outras cidades
da Região. Assim, as indústrias recebiam, através de seus entregadores, a
notícia da insatisfação dos fumantes. Desta maneira, fazia-se uma estatística
da qualidade dos cigarros, das diferentes marcas, pelas trocas de informações
entre fumantes, comerciantes, entregadores e indústrias.
De repente, também, como por mágica, surgiram os filtros. E eu me lembro que
o fornecedor disse: "... daqui para frente você não vai reclamar mais, pois não
verás o que estará fumando... ". E assim foi! Os filtros surgiram para proteger
(???) a saúde. Atualmente, com ele, o fumante quando abre o seu maço de
cigarros só vê os filtros. Se os cigarros viessem acondicionados com seus
filtros para baixo, provavelmente seria um pouco mais higiênico e permitiria, ao
consumidor, fazer um pequeno teste de qualidade.
Eu acredito que a maioria dos fumantes deseja ficar livre do vício, pois já
passei por esse drama e conheço muitos fumantes que estão à procura da
"fórmula mágica".
Voltando um pouco ao passado, recordo as palavras de um grande fumante
que havia deixado definitivamente o vício: "O cigarro é terrível, você larga de
fumar mas ele sempre está lhe tentando. Eu não conto para ninguém o que fiz
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para parar de fumar, pois se isto eu fizer me sentirei fraco e poderei voltar a ter
o vício". Guardei bem o conselho!
Pela experiência que passei, acho que as propagandas contra o tabagismo,
mostrando os males que causa à saúde só devem funcionar para as pessoas
que ainda não experimentaram o vício. Elas deveriam ser dirigidas,
exclusivamente, aos jovens e não aos velhos, pois se funcionassem para os
fumantes, não iríamos encontrar médicos, dentistas, veterinários,
farmacêuticos, enfermeiros, laboratoristas, funcionários de hospitais, postos de
saúde e todos aqueles que militam na área da saúde fumando, e nem mesmo
aquelas pessoas que têm ou já tiveram problemas de saúde, como: pressão
alta, câncer ou enfisema de pulmões, em estado adiantado, etc. Sabe que faz
mal ou sentir os efeitos maléficos do vício não é suficiente para resolver o
problema.
Acredito, também, que o uso de balas, medicamentos, furos nas orelhas,
restrição ao uso de café, de outras bebidas, também não funcionam. Nunca vi
funcionar. O que o fumante precisa, se quiser mesmo parar de fumar, é, em
primeiro lugar, de uma coisa simples, bem definida por Ercílio A. Denny,(JP,
7/7/96, A-2): “Força de vontade! Em segundo lugar, talvez, um tratamento
adequado para combater suas ansiedades escondidas, quase sempre, atrás da
fumaça de seus cigarros.”
ANTONIO DE OLIVEIRA LOBÃO é médico veterinário (UFMG), homeopata
(IBEHE/UNAERP) e mestre (USP).
Leia o artigo do Autor:
PORQUE ME TORNEI UM HOMEOPATA
http://www.cesaho.com.br/publicacoes/arquivos/artigo_20_cesaho.PDF
Atualmente é Diretor Geral do CESAHO que oferece
Curso de Homeopatia para agrônomos.
Curso de Homeopatia para médicos e
Curso de Homeopatia para veterinários.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
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