Aquela noite, naquele ambiente vulgar, onde tantas cenas vulgares se sucediam - por um instante o mundo se deteve no seu eterno rodar pelos espaços: a máquina do universo para sobre os lábios de dois seres até então desconhecidos.
Para ela, de novo, de inédito, pouco representava aquele beijo.... Para ele, era um firmamento que se abria, um mundo novo que se descortinava, a descoberta, a revelação de um paraíso que o atraía, que o seduzia - e que ele ignorava.
Qualquer coisa como o espectáculo, o esplendor de um céu cravejado, o esplendor, aos olhos do nosso pai Adão, depois do sol posto.
A descoberta de um novo mundo, até então desconhecido, a mulher.....
O jovem sentiu-se a um só tempo dominado, desvairado, aliviado.
Foi como se a angustia de sua timidez se fundisse na onda quente do sangue que estremecia nas suas veias ao ritmo descompassado de sua mocidade.
Entre lábios balbuciava monossílabos, totamudeava palavras a meio, ao caso sem sentido.
Tentou inútil - entabular conversação.
Dementava.
Suas palavras não tinham sentido.
Como num sonho ouviu de novo o múrmurio tão tranquilo dos lábios dela:
Quero-te....Vem.....A noite!!!
Sem sentir, sem querer, fazia-a rir, ele ignorava aquele segredo de seduzir, de conquistar: se queres possuir uma mulher, fazê-a rir; se não puderes, fazê-a chorar. Enquanto ela ria, porque se sentia feliz, experiente e experimenta-da, com a sensação de que em suas mãos uma virgindade de coração de desfolha-va se desflorava.
Para ele, apesar da experiência, também aquilo tinha o sabor esquisito e raro do desconhecido.
As sombras da noite envolve o quarto.
Ele, todavia, bêbado de sono, inebriado pela brisa, anestesiado pelo perfume - não percebeu e demorou, demorou muito para despertar.....
-Liberdade aos Poetas-
domingo, 10 de janeiro de 2010
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Grande Arilla, nosso escritor!
ResponderExcluirQue bom rever você por aqui.
Continue escrevendo que iremos lendo, ok?
Forte abraço,
João Melo, direto da selva